sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Serve para quê?


 

“Se, por um lado, os poderes do homem, o animal sábio, nos enchem de admiração, por outro lado, não podemos deixar de nos espantar com a lentidão da sua aprendizagem. E o maior de todos os obstáculos a essa aprendizagem é a quantidade de aprendizagem acumulada que com as suas ilusões de conhecimento ele foi juntado”
In “os Pensadores” – capítulo 21 – “Francis Bacon e a visão dos velhos ídolos e dos novos domínios”, de Daniel J. Boorstin.

Sinto-me assim, num novo renascimento da consciência de que o que “sei” atrapalha mais o que” desejo saber”, e que não posso escapar dessa condição animal, orgânica, que me liga ao Real e às Coisas.
Sou um homem e sinto, comovo-me, amo, odeio, alegro-me, zango-me, sinto prazer, dor, desconforto, comichão, cócegas.
Não sou apenas este corpo, em transformação, em constante recursão, reconstrução autopoiética, mas dele dependo para a perceção e interação com o que me rodeia.
Pois o que me acontece é que após 39 anos de acumulação de informação, no meio de tanta sensação, intuição e emoção, já é com dificuldade que me consigo posicionar para ver com clarividência o Universo à minha volta.
Quem sou, de onde venho, para onde vou?
Aliás, já me custa até pensar nestas questões do de onde vimos, para onde vamos, quem somos.
Em verdade, as questões já nem me aparecem como “porquês” mas antes como um simples “para que serve?” 

Para que servem afinal o Saber, a Sabedoria e a Consciência?
Hoje, no meio de uma tarde prazenteira, ensolarada, brinco no jardim com os meus Filhos e só amiúde me distraio, das suas gargalhadas e tropelias, pela brisa temperada que me passa pelos cabelos.
É um estado de graça que agradeço a Deus, aos Deuses, ao Cosmos.
Por cima de mim navegam nuvens enormes, voluptuosas, num lento vórtice que me dá a sensação que é antes a Terra que se move.
E o azul enche-me. E a sua luz enche os meus Filhos de Sol, e nos seus sorrisos sinto saúde, vejo o Amor e as promessas do futuro.
Para que servem afinal o Saber, a Sabedoria e a Consciência?
O meu Pai tem andado doente, o pecúnio que recebo pela minha prestação no trabalho não me chega para pagar as contas e o desemprego ameaça ou afeta metade dos meus Amigos.
O tempo míngua de tal forma que já quase não consigo pintar. E o Mundo ainda está cheio de fome, doença, injustiça e guerra.
Para que servem afinal o Saber, a Sabedoria e a Consciência?

Paro.
Paro por um bocado.
Olho para todo este fluxo imparável, incomensurável de informação que se me atravessa pela frente e procuro despertar.
Acordo e paro e fico só atento, a olhar, a ouvir, a sentir, a cheirar…
Paro e despojo-me das vestes, andrajos, com que me tenho enfeitado…
Servem a minha liberdade, serve a liberdade dos meus Meninos.
Servem o meu desejo de viver.
Servem a minha felicidade.
Servem a minha ligação ao Real, ao Mundo e ao Outro, sem subversões ou subjugação.
Servem-me de coragem para esvaziar o copo quando é preciso, para abrir as janelas da mente, para que a alma se me não cristalize ou coagule, não pare nem no tempo nem no espaço.
Ao mesmo tempo, não servem para nada… por isso as procuro, as escolho.
 

NQ, Abril 2014

Se fosse uma coisa, bateu-me com um pau e como me apeteceu bater-lhe de volta.

 
 
 
 
  



O que pode um homem simples dizer ou fazer no Mundo agora?

Não sou, à semelhança da maioria dos homens e mulheres dos nossos tempos, especialista em economia ou finanças, mas como comum entre comuns sinto hoje mais desconfiança e receio em relação ao futuro.


Pelo menos em relação a este futuro, a dois tempos, em que alguns enriquecem e muitos empobrecem.

Não penso assim por despotismo.
Passo a vida a desejar o melhor para quem o procura, para quem luta por mais e melhor.
Alegra-me a visão da abundância no regaço de quem for.
Celebro a fertilidade por si só e regalo os olhos quando vejo a Terra cheia de tudo e do bom.


Por isso não consigo deixar de indagar porque é que neste Mundo onde há excesso e abundância de tudo, vemos fome, desemprego, doença, desproteção na saúde e na velhice?
Porque que pagam os homens e as mulheres do nosso tempo os caprichos da doutrina do Capitalismo desenfreado?
Porque malha o peso da quimera do lucro pelo lucro sobre a única procura que deveria nortear o Homem: a construção do Humano?
Porque permitimos nós, comunidades de Gente, que outros mais cegos ou febris pela abundância, nos enterrem e esmaguem pela sua ganância, obsessão e controlo?
E quem regula este capital que nos regula?

A quem pertence a responsabilidade de lutar, nas formas pacíficas que a responsabilidade também obriga, contra esta falta de empatia, piedade, racionalidade?

Quem tapa a boca a esta criatura voraz?

Hoje pinto para lhe tapar a boca.

Amanhã, quando tiver um negócio, serei íntegro, justo e regulado para lhe tapar a boca.



Amanhã, talvez lhe dê com um pau, bem me apetecia… só para que a sua goela míngue e o seu apetite se mitigue… sem que lhe não falte pão para a boca.



NQ
Para veres as novidades no meu portefólio visita:
https://www.behance.net/NunoQuaresma

https://www.behance.net/NunoQuaresma

quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

OM - Prefácio




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OM, Aum, o som do movimento do Universo, o eco do seu início distante…
Vivo na era da descoberta do Bosão de Higgs, do pleno, seguro e consolidado funcionamento do Acelerador de Partículas do CERN, já numa época pós Relatividade Geral de Einstein, nos tempos da elaboradíssima complexidade matemática da Teoria das Cordas.
No meu íntimo, no fundo da minha alma (será que esta existe?)procuro contudo e apenas ouvi-lo: este silêncio que é também um rumor sem fim.
Quando me concentro, respiro-o, sinto-lhe, por momentos, essa nesgazinha de grandiosidade de que todos somos parte.
Já me explicaram que maís o conseguiria integrar se tivesse “o copo menos cheio”.
É mais fácil encher um copo vazio do que fazer entrar o que seja numa malga (amálgama!) a transbordar.
A dura tarefa que tenho hoje pela frente é esvaziar-me desse caudal.
É minha essa tarefa apenas porque a escolho.
Não sei se sou capaz, se estou à altura da complexa exigência do seu postulado.
Sigo com a simplicidade, humildade e receios de uma criança (talvez até com um pouco da sua indisciplina e irreverência).
Por isso começo por desenhar e pintar.
Não me levem a mal. Não sou capaz de o fazer de outra forma agora.
Vou pintar o que não compreendo, pintarei tudo o que me distraí o pensamento, para ver se a pintar desmistifico e desmistificando exorcizo essa força magnética que me agarra obsessivamente à forma das coisas.
Pensando menos sentirei talvez mais. Mais perto estarei talvez do essencial, do conteúdo. Mais perto da verdade, quem sabe, da consciência, do coração… de Ti! 

Aka OM (Aum), já em outubro deste ano, com o apoio Tailored, AKA Art Projects e da Câmara Municipal de Sintra.
 
 

quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009




"Existem dois dias no ano em que não podemos fazer nada:
o ontem e o amanhã "

Mahatma Gandhi



113/115



Um lugar, um ponto de encontro, uma oportunidade.

A ideia surgiu sob o mote da Arte como espaço vivo e simbólico que é também um lugar para se viver, biologicamente claro está.

Sentíamos, alguns, a carência desta dimensão mais completa, desta pequena grande parte da nossa Humanidade, e o apelo pela qualidade da experiência artística per si e da sua vivência na pluralidade – o apelo pela dialética no discurso visual.

113/115 é o espaço em que, seminalmente, eu e Simão Carneiro, um dos Autores incluídos nesta iniciativa, estaremos a pintar, durante dois meses, pela mão, generosidade e disponibilidade de uma Mecenas das Artes (Obrigado Margarida J).

Durante este período, a pintar com a vontade e ânimo de quem procura, ao fim de um longo jejum, de pão para a boca, estaremos também a cuidar e a reabilitar o espaço para acolher a 1ª seleção expositiva de um conjunto alargado de Artistas.

O evento que cumulará este período de tempo é o “banquete”, e esta é uma crença que se funda na qualidade dos Autores convidados, em que daremos saciedade a quem está, também, assim faminto de emoção, sentimento, profundidade, densidade, dramatismo ou até mesmo comicidade, “non sense”, com toda a evocação poética possível, por contraste com a realidade dura e crua do momento que atravessamos.

CRISE

Um Mundo em crise. Em fim dela… no seu início…

Na verdade e em síntese, o mote é este binómio Arte
Ser Humano enquanto criador versus Mundo em devir
Sentimento de impotência em relação a esta mudança avassaladora.

É uma tarefa difícil?

Ou será antes, e ainda no registo da saciedade, “o pão nosso de cada dia”, que não custa nem envergonha mostrar?

Em vez de uma resposta linear, descobrimos antes outro processo criativo.

Associámos livremente tudo o que nos veio à ideia e colocámo-lo em papel.

O que a seguir se tenta fazer é cumprir o passo seguinte:

Escolher o Título, fixar o Calendário e sustentar uma Itinerância possível no Parque da Nações em Lisboa e num 2º espaço ainda em angariação, no Município de Cascais.



''UBUNTU, how can one of us be happy if all the other ones are sad?''

Retirado de um diálogo entre membros de uma Tribo no Malawi, com evocação da cultura Xhosa.

'UBUNTU' significa: "Eu sou porque nós somos"


Para saberes mais visita:

http://akaarte.wix.com/online#


Catálogo:







Aka Arts & Crafts
Brevemente: